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segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Pause, Play

Os leitores mais assíduos desse blog já devem ter percebido que não posto nada há 2 semanas. Não é falta de assunto, nem de idéias, mas sim de tempo. Estou passando por algumas mudanças significativas na minha rotina e por isso dei essa pausa. Logo mais, muito em breve, volto a conversar com vocês! :)

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Matrix versão cinema mudo

Para descontrair, versão cinema mudo de Matrix, feito por um grupo de comediantes russos. E não é que, com as devidas adaptações, ficou bom?



(via @bilaamorim)

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

A imaginação heróica contra o mal

O vídeo abaixo é uma palestra do Doutor Philip Zimbardo, observador técnico em Abu Ghraib e autor do livro Lucifer Effect: Understanding How Good People Turn Evil. Basicamente sua teoria gira em torno do fato de que todos nós temos um lado bom e um lado ruim, sendo que o ambiente que nos cerca pode fazer com que a balança penda para um lado ou para o outro.

O assunto e os dados apresentados já são interessantes o suficientes para você dar play aí embaixo, vai na fé que eu garanto. Mas o motivo para isso estar aqui são os minutos finais, onde o doutor expõe sua tese para combater o mal.

Segundo ele muitas dessas situações de calamidade, como o próprio caso de Abu Ghraib, ou mesmo o Holocausto, acontecem porque não há ninguém que se apresente como voz contrária. Poucas pessoas têm a coragem de se levantar contra a maioria e trazer todo mundo de volta para a realidade, mas, quando fazem, podem provocar um efeito dominó e trazer a paz de novo.

Essas pessoas, para ele, são heróis. Heróis no sentido mais clássico possível, sem super-poderes nem nada do tipo. Pessoas que praticam atos de heroísmo. E, dentro de sua visão, a melhor maneira de combater o mal é ensinar às crianças histórias que despertem a imaginação heróica.

Agora eu pergunto: de uma forma bastante massificada, não é isso que a indústria das histórias (cinema, literatura, videogames etc.) já faz? E não é isso que as mitologias faziam para os povos de antigamente? É claro que também há histórias que exaltam o mal, mas essas são a exceção que confirma a regra.



(via Update or Die, post da Adriana Salles Gomes)

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Noticiário Transmídia e Novela

Acontece na vida real, no minuito seguinte já está no capítulo da novela. Essa era a idéia de Manoel Carlos para "Viver a Vida", a novela das 8 da Globo que está no ar agora. Tá bom, não tão radical assim, mas o que ele queria era rechear a trama com notícias quentes que estavam acontecendo, se não naquele minuto ou hora, pelo menos no próprio dia.

Não sou fã de novela, e como não estou acompanhando essa não posso discutir a execução, até porque há o risco de não ter ido para frente como planejado. Gravar ao vivo, ou mesmo alguns minutos antes, é uma tarefa muito complicada dentro do esquema de produção de uma novela.



Mas, sinceramente, torço para que tenha dado certo, e tenho alguns motivos para isso:

1) Seria interessante ver essa integração da "cultura online" com um dos pilares mais tradicionais da narrativa brasileira. O novo e o antigo se encontrando. Uma possibilidade de sair do marasmo.

2) O desafio não só de produzir isso a tempo, como de fazer com que uma notícia possa influir na trama. Imaginem só o seu Zé, dono do bar do núcleo pobre da novela, passando dificuldades financeiras em seu estabelecimento. De repente estoura uma crise econômica no mundo real, e portanto no mundo ficcional também. Diante disso qual será a decisão do personagem sobre continuar ou fechar o negócio de vez?

3) E se o autor estiver direcionando a história para um caminho e, de repente, uma notícia real tornar o que estava planejado totalmente inverossímil?

4) A novela brasileira sempre foi um veículo de transmissão de cultura para o povo brasileiro. Modas, músicas e hábitos já foram difundidos por meio dessas narrativas, e já faz algum tempo que muitos autores aproveitam a popularidade do formato para convidar os espectadores a refletirem sobre certas questões sociais. Nesse sentido, aproximar a novela do noticiário nem é tão chocante assim. A única diferença seria o timing.

Caro leitor, se você estiver acompanhando "Viver a Vida" e tiver alguma observação sobre a notícia, não deixe de comentar!

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Ficções Interativas

Para quem gosta de assuntos mais densos, recomendo o texto de Janos Biro sobre estrutura de ficções interativas, publicado na rede social do Game Reporter, um dos melhores blogs sobre cultura de videogame do Brasil.

O autor, que está desenvolvendo um trabalho nesse formato, disseca de uma forma bem clara e técnica as diferenças entre a narrativa tradicional, onde o autor conduz o leitor pela história, e a narrativa interativa, onde o leitor constrói sua própria história explorando um universo de possibilidades criado pelo autor.




O artigo foca naqueles jogos-texto, onde a pessoa vai lendo na tela o que se passa, e interage com o cenário por meio de comandos escritos, mas pessoalmente acredito que o termo "ficção interativa" se aplique à outros formatos. Um jogo de videogame menos textual e mais cinematográfico, por exemplo, também pode ser considerado "ficção interativa", com a diferença que a interação se dá mais pela imagem do que pelas palavras. No outro extremo temos aqueles antigos livros interativos onde o leitor pulava páginas conforme escolhia opções: "se você quiser abrir o baú, vá para a página 67".

Acredito que, para além do formato ou da linguagem, temos aqui um material muito interessante sobre um novo jeito de contar histórias.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Trama Gráfica

E se histórias épicas como Senhor dos Anéis e Star Wars fossem compactadas em um infográfico? A Fast Company publicou na semana passada justamente uma tentativa disso, que você vê aí embaixo.

Como não dá para compactar uma trama tanto assim, a brincadeira resume-se a mostrar quais personagens estão juntos em que tempo. Mesmo simplificando, dá para ter uma noção da complexidade que envolve a criação de uma história.


quinta-feira, 5 de novembro de 2009

The Sims Horror Movie

Na semana passada escrevi sobre como videogames sem narrativas podem inspirar histórias, sobretudo no caso de jogos de estratégia, cujos cenários podem servir de inspiração para a criação de universos ficcionais. A adição de personagens e trama seriam um tipo de licença poética.

É isso que acontece nesse trailer-paródia de uma hipotética história de terror envolvendo The Sims. Para quem nunca jogou, The Sims é um simulador de vida. Você cria um personagem e vive a vida dele. Trabalha, namora, faz amigos, organiza jantares, cria uma família etc. Do nascimento até a morte.

Mas, entre uma decisão importante e outra você acaba fazendo tarefas triviais, como ir ao banheiro, descansar, dormir etc. Experimente deixar seu personagem sem ir ao banheiro durante um tempo para ver o que acontece. Se não deixar ele descansar ou dormir, ele vira um zumbi. E por aí vai.



A paródia brinca justamente com esses elementos, como se houvesse um deus, o jogador, brincando com a vida de pessoas. Imagine só se de repente o criador te proibísse de fazer uma dessas coisas básicas. Pensando bem, é muito assustador mesmo.

Para assistir clique aqui: http://www.collegehumor.com/video:1922223

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

HAL 9000 será personagem em novela da Globo

A próxima novela das 7 da Globo terá um personagem computador, no melhor estilo HAL 9000, de 2001 Uma Odisséia no Espaço. Vi essa notícia do Blue Bus e fiquei encucado.

Certa vez alguém do meio comentou que depois do Plano Real praticamente todo lar brasileiro passou a contar com um aparelho de televisão. O lado bom foi ver classes menos abastadas tendo acesso à bens de consumos que eram proibitivos na época da inflação O lado ruim é que as TVs abertas tiveram que nivelar a programação por baixo.



Nunca fui fã de novela, mas sei que de lá para cá o formato ficou mais pasteurizado. Tramas sofisticadas deram lugar à fórmulas desgastadas, mas que garantem o entendimento de um público sem base cultural sólida. Ouvi falar de uma novela antiga que se passava em apenas um dia. As mesmas cenas eram filmadas várias vezes, por perspectivas diferentes, e as arestas eram recheadas com flashbacks. Hoje, do jeito que as TVs pensam, isso seria impossível.

Mas até que ponto a presença de um personagem computador não significa uma mudança significativa? Talvez isso seja uma tímida resposta à tentativa da Record em fundir a linguagem da teledramaturgia à elementos de quadrinhos por meio de sua saga de heróis mutantes. Mas prefiro acreditar também que a base da nossa pirâmide social está mais preparada para absorver narrativas mais interessantes. O futuro chegou, em vários sentidos.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

O invencível nas histórias

Podia ser um post em comemoração ao Dia das Bruxas que acabou de passar, mas é muito mais do que isso.

O gráfico abaixo é uma brincadeira bem humorada sobre os métodos que devem ser utilizados para eliminar cada tipo de monstro da literatura fantástica, de vampiros à zumbis, passando por robôs assassinos até o Godzilla.

Mais do que isso, é um lembrete de que, pelo menos nas histórias, não há obstáculo que seja invencível. Afinal, mesmo o monstro mais horripilante sempre tem um ponto fraco, um jeito de derrotá-lo e virar o jogo.

Antropologicamente faz todo o sentido. Histórias, desde sempre, serviram como um tipo de combustível para que as pessoas enfrentassem os problemas do dia a dia com mais energia e esperança.

E ainda que haja alguns casos de história sem final feliz, esses também nos ajudam no sentido de ensinar como não agir em caso de dificuldades.



(via Update or Die, post da Adriana Salles Gomes)

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Videogame como Universo Ficcional


Para alguns videogames a narrativa é um componente tão importante quanto a jogabilidade e os gráficos, mas isso não é uma regra.

Enquanto séries como Metal Gear e Final Fantasy são o supra-sumo da história, há vários outros exemplos que ficam no meio do caminho e uma infinidade de jogos onde o divertido é simplesmente sair jogando e dane-se se há algo por trás.

À parte de tudo isso existem alguns casos especiais de jogos que são pródigos em criar universos, mas não histórias. Na maioria da vezes trata-se de jogos de estratégia, onde você tem que ir construindo alguma coisa, seja uma civilização (Civilization), uma cidade (Sim City) ou mesmo uma vida (The Sims).

Não é à toa que a notícia de que estariam pensando em fazer um filme baseado em Spore gerou o maior rebuliço. Spore é um tipo de simulador de Darwinismo. Você cria um ser vivo, escolhe suas habilidades e características, e depois tenta sobreviver com o bicho até que a espécie se torne uma civilização.

De um modo ou de outro quem joga acabando criando uma história própria, mas não há uma narrativa comum à todos os jogadores, e por isso muitos duvidam que possa sair algo cinematograficamente bom daí. Mas na notícia da Cinematical o diretor escalado para o projeto toca em um ponto interessante.

Ok, é verdade que o jogo não tem uma história por trás, mas como universo ele pode ser bastante inspirador para uma animação. Nesse caso tanto faz a história, desde que, é claro, seja boa. O que quero dizer é que o plot pode ser romântico, aventuresco, de suspense etc. O desafio está em em fazer a trama se encaixar em um universo de seres estranhos que batalham pela sobrevivência.

Na verdade, em um mundo ideal só justificaria utilizar a franquia se esse universo realmente agregar algo à narrativa. Se der na mesma utilizar monstros exóticos ou bichinhos fofinhos para contar essa história, então aí o critério será meramente comercial.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Citizen Generated Place Branding Content

Uma pequena cidade espanhola, Allariz, criou um canal de TV para a internet com o objetivo de dar informações sobre o turismo local. Depois de um tempo resolveram abrir espaço para programas produzidos pelos próprios moradores, e então surgiu a idéia de se fazer uma novela colaborativa.

A prefeitura paga a parte técnica da coisa, como o aluguel de câmeras e a contratação de gente especializada, e os moradores se organizam em mutirão para viabilizar o resto, incluindo cenário, maquiagem etc. Os próprios moradores produzem, roteirizam e atuam na novela.

Isso podia ser um filme de final previsível, onde a pacata cidadezinha passa por uma revolução. No âmbito interno famílias rivais se unem, casais se formam e pessoas descobrem o verdadeiro sentido de suas vidas. No âmbito externo a cidade fica famosa, gera mídia espontânea e se torna a nova Hollywood.

Acontece que, exceto por esse último parágrafo, a história é real, e saiu em jornais do mundo inteiro, como nessa notícia do Estadão. Ainda não dá para saber o desfecho, mas é certo que, no mínimo, o fato já gerou mídia espontânea.



É bastanta razoável imaginar que em termos narrativos e dramáticos a qualidade da novela não será lá essas coisas. Tomara que eu esteja errado, mas por enquanto me atenho somente às probabilidades. Provavelmente será um lixo. Mesmo assim, é legal ver esse tipo de iniciativa.

Dá até para fazer uma analogia com os últimos filmes do Woody Allen financiados por prefeituras, que utilizam a história para promover suas respectivas cidades. Nesse a prefeitura mal tinha dinheiro para o básico, quanto mais para chamar um diretor de renome, então a população resolveu abraçar a causa. Aposto que a maioria dos moradores não tinha a intenção de promover a cidade, mas é isso que acabará acontecendo. Se a história for boa periga Allariz se tornar uma potência turístico da Espanha.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Detetive 2.0

Lembra de Detetive, a versão de Sherlock Holmes para jogo de tabuleiro? Saiu nos Estados Unidos uma versão onde o jogador recebe pistas por SMS, trazendo o telefone celular para a dinâmica do jogo. A princípio me parece só uma jogada de marketing, ou seja, um recurso utilizado para causar um grande impacto inicial mas que depois não faz muita diferença na narrativa. Mesmo assim, é uma idéia interessante que tem potencial.



Vale lembrar que outras histórias, em outras mídias, já utilizaram recursos semelhantes para integrar a narrativa ao celular. Já vi pelo menos dois casos de livros que traziam um número de telefone real na história. Se o leitor resolvesse discá-lo, ouviria um recado que tinha a ver com a história, um complemento à experiência.

Creio que esse tipo de coisa seja uma tendência irreversível, mas ainda estamos engatinhando nesse sentido. No futuro, quando estiver lendo um livro, não se esqueça de deixar o celular por perto.

(via Springwise)

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

A Jornada do Zumbi

O antropólogo Joseph Campbell se tornou bastante famoso em Hollywood por ter influenciado dezenas de filmes com sua teoria do monomito, também conhecida como "A Jornada do Herói". Em resumo, Campbell teria descoberto que mitologias de várias culturas ao redor do mundo seguem um mesmo padrão narrativo. Uma mesma estrutura de história que começa com o herói recebendo um chamado, que a princípio é negado. Depois acaba aceitando a missão e sai em uma jornada, vencendo inúmeros obstáculos até salvar o mundo. Para quem quiser se aprofundar clique aqui.

O ponto é que as histórias com essa estrutura, não importa qual seja o cenário, na essência são todas iguais. Se você tem alguma dúvida faça uma comparação entre Star Wars, Senhor dos Anéis e Matrix. Todas começam com uma pessoa recebendo um chamado, negando-o, e depois enfrentando uma série de desafios...



A partir daí surge aquela teoria de que todas as histórias já foram contadas. E será que todas as histórias de zumbis já foram contadas? Segundo esse artigo do site Cracked, sim! O artigo defende que todo filme com essa temática trás 6 tipos de personagens. São eles: o traidor, o mandão, o sacrificado, o expert, o inocente e o cara comum.


Já havia escrito sobre histórias de zumbi nesse post, mas não custa repetir. O que mais gosto nesses filmes não é exatamente a violência, os efeitos especiais ou os monstros, mas sim a moral: no final das contas, por pior que seja a ameaça, nós, seres humanos, acabamos sempre perdendo para nós mesmos, para a nossa ganância, vaidade, burrice etc.

Pensando bem, o livro de histórias mais vendido de todos os tempos, a Bíblia, tabém aborda esse tipo de assunto. Não importa se o personagem é Jesus ou um zumbi, a história é sempre a mesma. ;-)

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

O poder destrutivo das histórias

A escritora nigeriana Chimamanda Adichie começou a ler desde muito cedo, segundo ela desde os 4 anos. Como lia principalmente histórias americanas e inglesas, quando se tornou escritora seus personagens eram loiros de olhos azuis e brincavam na neve, ou seja, muito distantes da realidade de seu país.

Mais tarde ela veio estudar no Estados Unidos e foi discriminada pois colegas e professores não enxergavam a "verdadeira África" em suas histórias. Para falar a verdade ela mesma não sabia direito o que seria essa África idealizada, já que era de uma família de classe média e, portanto, não viveu a fome, a guerra, a miséria e todas essas coisas que costumamos pensar da África.

Sim, é fato que elas existem, mas um continente inteiro, ou mesmo um país, nunca é feito de só uma história. Mas, mesmo assim, essa era a única história africana que as pessoas ao seu redor conheciam. Pior do que isso, era a única história que estavam preparados para ouvir. Quando Chimamanda resolveu escrever sobre sua própria realidade, a de uma família nigeriana relativamente abastada, foi um choque.

Estou sempre aqui falando sobre o poder das histórias, sobre como elas são uma ferramenta para entreter e compartilhar conhecimento etc. Mas sempre há o outro lado da moeda. Nesse caso, é o poder destrutivo das histórias (David Letterman que o diga). Se o assunto interessar, veja a palestra da escritora para o TED, logo abaixo...

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Seriados e videogames

Seriados adaptados para videogames é uma coisa moderna, certo? Os jogos de E.R. - Plantão Médico (na foto), 24 horas, Lost e outros estão aí para comprovar a tese, certo?

Errado.

Isso é mais velho do que você pensa. Clique na foto e veja uma seleção de jogos baseados em seriados que a UOL fez. Além desses mais recentes você encontra preciosidades como ALF e Chapolim para Master System, Águia de Fogo para NES e até Monty Python para computador!


 
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